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    Isto é o que Leandro Karnal espera que você faça se for demitido

    Perder o emprego é um baque e tanto. Em entrevista exclusiva, professor explica como transformar a experiência do fracasso em sabedoria.

    Imagem: Leandro Karnal (R. Trumpauskas/Divulgação)

     

    Nada de “pensar positivo” ou acreditar que o sucesso depende apenas de você. No dia em que a vida trouxer notícias ruins, como a de uma demissão, Leandro Karnal espera que você abandone todas as respostas prontas.

    Em entrevista por telefone a EXAME.com, o historiador e professor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) diz que o discurso típico da autoajuda se apoia em premissas pouco realistas, e ignora que o êxito e o fracasso não dependem exclusivamente do indivíduo.

    Por outro lado, reconhecer o peso inegável das circunstâncias — como a crise econômica que assola o país e deve produzir quase 14 milhões de desempregados até 2018 — não significa que você não tenha nenhuma responsabilidade por um eventual desligamento.

    Para Karnal, o profissional dispensado não deve se sentir um “perdedor”, até porque se colocar nessa posição só funciona como pretexto para se acomodar.

    A saída mais interessante é aproveitar o lado útil do fracasso: a oportunidade de refletir sobre as suas fraquezas, aceitar o lado trágico da vida e construir uma nova atitude. “A felicidade engorda, enquanto a tristeza faz você se movimentar”, resume o professor. 

     

    Confira a seguir os principais trechos da conversa:

     

     

    EXAME.com – Até que ponto o fracasso é culpa do indivíduo?

     

    Leandro Karnal – Hoje existe um discurso dominante de que 100% do que acontece nas nossas vidas depende das nossas escolhas. Isso nasce de um certo pensamento liberal do início do século XIX, que tem uma dose de perversidade. É como se todo mundo que está mal tivesse optado por estar mal, e que todos podem estar bem — basta querer. 

    É o que embasa a ideia de que a pobreza é responsabilidade completa da pessoa, assim como a riqueza. Grande parte da autoajuda que percorre as palestras brasileiras diz: “Se você acreditar que é um vencedor, certamente vai vencer”. É uma crença excessiva na liberdade do indivíduo. 

    Teorias de diversas naturezas, da religião à psicanálise, contrariam essa tese. Não somos tão racionais, nossas escolhas não nascem de uma liberdade total e o acidente tem um papel muito maior do que imaginamos. Isso inclui até teorias de esquerda, como as de Thomas Piketty, que fala sobre a exclusão produzida de forma inevitável pelo nosso sistema.

    Ao desenvolver a teoria psicanalítica, Sigmund Freud mostrou que as nossas ações são fruto de uma coleção de traumas e experiências infantis, e que certos graus de neurose e patologia existem em todos nós, até naqueles que não estão em casas psiquiátricas. Desde que Freud determinou isso, sabemos que há dificuldades estruturais com essa liberdade.

     

     

    EXAME.com – O que se pode concluir, então?

     

    Leandro Karnal – Tenho usado em minhas palestras duas noções desenvolvidas por Nicolau Maquiavel: a “virtù”, total de habilidades e competências que nascem comigo e que posso desenvolver, e a “fortuna”, que significa o acaso, a sorte, o azar, o inesperado.

    Ninguém é tão divino (só “virtù”) e nem tão objeto inanimado e suscetível às circunstâncias (pura “fortuna”). No gráfico imaginário formado pelas retas “virtù” e “fortuna”, somos um traço tenso e curvo. Faz muita diferença a escolha do indivíduo. Mas nem sempre esse indivíduo lida com uma lógica absoluta, ele faz sua escolha dentro do possível.

     

     

    EXAME.com – Diante de uma demissão, muitas pessoas se sentem “um lixo”, porque acham que tudo depende da tal “virtù”. Outras culpam a crise e negam qualquer responsabilidade pelo que aconteceu, como se tudo fosse resultado da “fortuna”…

     

    Leandro Karnal – Sim. Acontece que, se você se sente um “lixo”, talvez você esteja certo. Mas a pergunta que realmente importa é: qual é a etapa seguinte? O que você vai fazer para mudar? É paralisante se sentir um “lixo” porque no fundo isso é um recurso psíquico para não agir. É uma forma de defesa, de preguiça, como se você dissesse: “Não dá, eu sou um fracassado mesmo, não preciso fazer mais nada”. Não há alegria maior do que entender que eu nunca mais vou emagrecer. Perdi o limite, engordei muito e agora não tenho como retroceder, então agora estou alegre. O fracasso é uma zona de conforto.

    Outra forma de paralisia é atribuir tudo a forças exteriores. “Eu sou bom, mas sou perseguido”. “Sou competente, mas este país não presta”. Quando eu atribuo a responsabilidade de tudo a terceiros — destino, signo, Deus, governo — eu passo a viver também numa zona de conforto. Você diz, na prática, que não é gestor da sua vida.

    Gosto de dizer que você é sócio majoritário do projeto da sua biografia. Ser sócio majoritário não significa poder controlar tudo, funcionários, fornecedores, clientes. Mas a responsabilidade é muito maior do que creem os deterministas.

     

     

    EXAME.com – De que forma o autoconhecimento pode ajudar uma pessoa que está vivendo uma fase ruim na carreira?  

     

    Leandro Karnal – Se você olha para si mesmo com muita honestidade, se encara o retrato terrível da Medusa, que é o seu lado difícil, você tem a primeira chance de encará-lo e superá-lo. É preciso se observar sem máscaras, ou com menos máscaras.

    É o que diz a máxima “Conhece a ti mesmo”, que funda a filosofia de Sócrates. Quando você não se conhece, acaba sendo controlado por partes de si, sua dor, seus traumas. É preciso investigar a si mesmo para perceber que você também é preguiça, você também é raiva. Se você sabe disso, fica mais fácil aceitar e diminuir o efeito dessas fraquezas.

    Se eu descobrir, por exemplo, que a irritação com o meu chefe reproduz uma relação com a autoridade paterna mal resolvida, posso perceber que, na hora em que o meu chefe é chato, quem deve reagir é o funcionário Leandro, e não a criança Leandro.

    Por outro lado, conhecer a si mesmo também é conhecer o que há de bom em mim mesmo, e também aquilo que me traz bem-estar. É muito comum ver pessoas que dizem que a carreira é tudo para elas, mas sofrem de úlcera e gastrite no domingo à noite. Elas não se conhecem, não sabem o que realmente querem.

    A autoajuda falha porque pressupõe um modelo que não existe. Há pessoas que adoram atividades repetitivas. Outras são pouco ambiciosas e só são felizes se puderem ficar em patamares fixos. Há indivíduos viciados em desafios. Eu preciso saber do meu perfil. Não posso contrariar permanentemente a minha natureza.

     

     

    EXAME.com – O fracasso pode criar um ciclo vicioso: a melancolia gera mais problemas e os problemas geram mais melancolia. Como escapar desse mecanismo?

     

    Leandro Karnal – Em primeiro lugar, é preciso aceitar que há uma parte da vida que necessariamente dá errado. A morte chegará. As pessoas que eu amo podem desaparecer. Posso perder o emprego. Posso ser uma pessoa ruim. A existência tem sempre uma dimensão trágica. Tristeza não é um problema, não é algo excepcional.

    Note que estou falando de tristeza, não de depressão. Depressão é uma doença grave, que requer acompanhamento profissional e tratamento. Já a tristeza é uma ferramenta de aprendizado. Se eu não quero sair da tristeza, é porque ela me dá um conforto. Talvez o meu medo de enfrentar um novo mercado de trabalho seja tão grande que eu vou me refugiar na melancolia. “Não dá, não tem jeito, é assim mesmo”. Porque o medo é maior.

    Acontece que os países, as empresas e as pessoas se reorganizam na crise — para o bem ou para o mal. É a partir de uma crise nacional profunda que emerge a figura de um Winston Churchill. É também numa crise nacional profunda que emerge um Adolf Hitler. A crise é um grande momento, pode gerar muitas transformações e aprendizados.

    O problema é que a “geração Facebook” acha que a vida só é plena se você pode publicar fotos felizes. Na verdade, a felicidade engorda. A tristeza faz você se movimentar.

     

     

    EXAME.com – A morte do sociólogo Zygmunt Bauman no início do ano reacendeu o debate sobre a deterioração das relações humanas na era da internet. Redes sociais como o Facebook geram uma falsa ideia sobre o sucesso alheio?

     

    Leandro Karnal – Toda tecnologia é neutra. Um martelo pode fixar um prego para pendurar um quadro, mas também pode assassinar uma pessoa. A rede também é neutra, tudo depende do que fazemos com ela.

    Vivemos na sociedade do espetáculo, em que toda a atenção é voltada para imagem. O que precisamos entender é que tudo aquilo que se publica no Facebook é de autoria de um roteirista. É alguém construindo uma imagem. Se eu acredito naquilo, o problema não é a internet, mas a minha dor e o meu vazio. A rede alimenta um problema antigo, que é enxergar no outro o fracasso dos meus próprios projetos.

     

     

    EXAME.com – A inveja pode ensinar alguma coisa?

     

    Leandro Karnal –  O sucesso alheio me incomoda porque não estou olhando para mim mesmo, meu foco está nos demais. A palavra “inveja” é formada por “in” e “vedere”, que significam “não ver” em latim. Quando não me vejo, não enxergo o meu próprio desempenho, olho excessivamente para o outro. 

    A psicanálise diz que, se você sentiu dor pela felicidade do outro, isso é uma pista maravilhosa, porque revela algo sobre você e sobre o que você quer. Refletir sobre a própria inveja ajuda a reconhecer os seus desejos, entender os seus fracassos, olhar de novo para si mesmo.

     

    Fonte: Portal Exame.com

  • A JOB Terceirização propõe soluções aos empresários de São Carlos e região. Open or Close

    A JOB Terceirização propõe soluções aos empresários de São Carlos e região.

    A Job Terceirização faz uma análise da situação econômica de São Carlos e região, identifica índices e propõe soluções aos empresários locais.

    São Carlos

    FOTO: Acervo
    Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo 

     

    De acordo com dados apurados pelo Jornal Primeira Página, a economia de São Carlos fechou 2.461 postos de trabalho no decorrer de 2016. Analisando dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), identificou-se que o segmento com os piores números foi o de serviços, com saldo negativo de 769 postos de trabalho, seguido da indústria com déficit de 696 vagas, agropecuária com eliminação de 332 vagas e comércio, com corte de 313 empregos.


    Outras cidades da Região Central Paulista também apresentaram dados negativos em 2016, entre essas, Araraquara fechou 1.446 vagas e Rio Claro cortou 906 postos de trabalho. Em Porto Ferreira, o déficit foi de 448 vagas, seguida de Itirapina com saldo negativo em 382, Ibaté com eliminação de 300 postos, Descalvado com corte de 258 vagas e Ribeirão Bonito com déficit de 122 vagas.


    Mesmo com números negativos, o balanço nacional do ano de 2016 feito pelo Caged, apresentou uma queda de 14% no ritmo da perda de empregos formais no país considerando que 2015, o Brasil perdeu 1.534.989 postos de trabalho e em 2016, o mesmo perdeu 1.321.994 vagas.


    Em recente boletim, a Associação Comercial de São Carlos, afirmou que a trajetória mostra que a população empregada no setor formal da economia continua a diminuir em função das operações (produção/venda) dos negócios locais estarem em níveis baixos, consequentemente precisando de menos funcionários e empregando menos.


    Mesmo com certa retração produtiva, as maiores cidades da região seguem resistentes às previsões mais pessimistas do mercado, com balanças comerciais positivas e novos investimentos a caminho, do quais, a pretensão de R$ 500 milhões vindos da AirShip do Brasil na construção de um novo hangar em São Carlos, conforme informado pela assessoria da Prefeitura Municipal da cidade.

     
    Entre as possíveis soluções que os empresários também tem tomado para enfrentar os momentos de crise está na inovação, caractetística essencial de todo empreededor que busca alternativas para alcançar seus objetivos. Um exemplo dessa característica foi recentemente apresentado pela emissora EPTV Central, filiada à Rede Globo de Televisão, sobre as indústrias de Araraquara. Na reportagem da emissora, apurou-se que Araraquara teve adversidades econômicas e chegou a fechar muitos postos de trabalho durante 2016 mas em contrapartida, algumas empresas se diferenciaram pelo planejamento e análise precisa do mercado e mesmo com a crise em processo, essas empresas foram na contra-mão, e hoje já visualizam expansão e novos horizontes com faturamento positivo. Os frutos de ações como essas citada pela reportagem, principalmente relacionadas ao planejamento, ajudam a atenuar impactos do desemprego e solidifica caminhos para o futuro.


    A JOB Terceirização tem analisado de perto o cenário econômico de São Carlos e região. Os executivos da empresa tem participado ativamente dessa retomada dos negócios e a cooperação para se criar a cultura da inovação. Entre as possíveis soluções, a JOB tem colocado à disposição dos municípios sua experise e recursos, entre os quais, uma base qualificada de profissionais terceirizados e mão de obra temporária para suprir as nuances de mercado. Entre os benefícios propostos pela JOB aos clientes, está a redução de custos e a oportunidade de ajudar os municípios a gerarem novos empregos com a assessoria correta em recursos humanos. 

  • A JOB Terceirização entra 2017 propondo soluções para Rio Claro e região. Open or Close

    A JOB Terceirização entra 2017 propondo soluções para Rio Claro e região.

    A JOB Terceirização se lança numa nova jornada para levar soluções às empresas de Rio Claro e região. A proposta deve atender empresas de médio e grande porte local com a oferta de serviços de terceirização e mão de obra temporária.

    Rio Claro

    FOTO: Daniel Parks
    Prefeitura Municipal de Rio Claro 


    O potencial da região de Rio Claro é conhecido internacionalmente pela fabricação e tratamento de cerâmicas, um mercado que regionalmente movimenta mais de 13 mil empregos diretos e 195 mil indiretos. Destaca-se também pela diversidade de produtos industrializados, entre esses: eletrodomésticos da linha branca, produtos químicos, fibras de vidro, metalúrgicas, tubos e conexões de PVC, cabos para indústrias, peças de automóveis, papelão, agro avícolas, nutrição de animais, balas, caramelos, estamparias e artefatos de borrachas especiais. Porém, nos últimos tempos, a região de Rio Claro vem sofrendo com a crise econômica nacional, e não diferente do país, as empresas tem reduzido custos e procurando saídas para evitar ou atenuar efeito das demissões, problema esse que afeta tanto empregadores como empregados.


    Uma das propostas mais cabíveis para solucionar o problema do desemprego é a terceirização da mão de obra, diante da qual, a proposta da JOB e seus serviços vem exatamente para suprir demanda com pontualidade em 2017. A terceirização permite que as empresas enxuguem suas estruturas, eliminem gastos demasiados e possam gerar e garantir mais empregos para toda a região. Além da terceirização oferecida pela JOB, as empresas podem contar com a mão de obra temporária para períodos de produção sazonal, solução que flexibiliza a contratação de trabalhadores para épocas de alta demanda como a Páscoa, Dia das Mães, Dia dos Pais, Dia das Crianças e Natal.

  • Tribunais estão avaliando as políticas das empresas contra assédio moral Open or Close

    Tribunais estão avaliando as políticas das empresas contra assédio moral

     

    O Judiciário está cada vez mais vigilante quanto às medidas de prevenção ao assédio moral que as empresas brasileiras devem adotar, avaliam advogados ouvidos pelo DCI.

    A opinião geral é que quanto mais preparada uma empresa está, menor são as chances de ocorrer algum incidente e mais facilmente haverá êxito na disputa judicial.

    O sócio da área trabalhista do Demarest Advogados, Antonio Carlos Frugis, acredita que das milhares de ações de funcionários pedindo na Justiça indenização por assédio moral, uma grande parte é de processos sem fundamento. No entanto, para provar isso, a companhia tem que garantir que adotou medidas concretas para impedir excessos por parte dos gestores.

    “O que pedimos é que as empresas orientem seus supervisores e chamem escritórios de advocacia para explicar o limite legal do exercício do poder de gestão sobre os subordinados”, revela ele.

    A elaboração de programas e de campanhas de conscientização para reduzir ao máximo a existência de casos de assédio, ajuda o contratante, inclusive, a pagar uma indenização menor em caso de comprovação do assédio. “Mesmo com essa comprovação, dá para minimizar a indenização. A empresa responde pelos atos dos seus prepostos, mas o Judiciário aprecia boas regras internas”.

    Quando não há esse cuidado, aumentam as chances de condenação. Foi assim que ocorreu com uma famosa locadora de veículos, que teve de pagar R$ 5 mil a um trabalhador que recebia ofensas pessoais durante as reuniões. A juíza substituta Mônica Ramos Emery, em atuação na 10ª Vara do Trabalho de Brasília (DF), entendeu que ficou comprovado no processo que um dos supervisores da empresa era bastante incisivo com o empregado e, frequentemente, usava de um palavreado chulo para se referir ao funcionário.

    A magistrada disse, em sua decisão, que utilizar-se de palavras duras ao se dirigir a um subordinado e desmerecer seu trabalho, além de ser socialmente incorreto, ocasiona vergonha e tristeza. Ela ainda declarou que o superior desse gestor, ao permitir tal comportamento, foi “omisso”, o que acabou acarretando um “desrespeito à dignidade da pessoa do trabalhador”.

    Para Frugis, esse processo reflete a dificuldade de muitos chefes de departamentos em entenderem os limites legais a que estão sujeitos pela lei. “Houve um claro abuso do poder pelo chefe”, acrescentou.

     

    Medidas

    A especialista em direito do trabalho do Andrade Maia Advogados, Maria Carolina Seifriz Lima, expressa que há uma série de precauções que os empresários podem tomar para evitar a ocorrência de processos trabalhistas. “O que se recomenda é a promoção de campanhas, com divulgação de cartazes e envio de e-mails. Tanto para o agressor saber que isso não deve ser feito quanto para o funcionário ter coragem para denunciar”, ressalta a advogada.

    Para Maria Carolina, a promoção de cursos sobre como gerir pessoas mantendo um ambiente de trabalho sadio ajuda a mostrar a ilegalidade de alguns comportamentos do dia a dia que podem ser interpretados como assédio moral. Mas o essencial mesmo, na opinião dela, é manter um canal para denúncias anônimas de seus empregados, e divulgá-lo para que todos se sintam à vontade para denunciar quaisquer atitudes inadequadas de seus superiores.

    “Eliminar não tem como, mas é possível mitigar. Quanto antes os funcionários reportarem casos de assédio moral, mais rápido para resolver”, defende a especialista. Se a denúncia for feita e uma investigação for aberta, Maria afirma que a companhia terá provas melhores para apresentar ao Judiciário caso a sindicância interna não resolver o problema e o empregado ainda assim quiser recorrer à Justiça.

    Já Frugis lembra que é importante, mesmo com todo esse treinamento, fiscalizar as relações entre subordinados e superiores para não permitir que tudo seja esquecido assim que os cursos terminarem. E em caso de comportamento reincidente, ele diz, não se deve hesitar em demitir o administrador. “A firma deve punir o gestor para dar o exemplo e impedir que aquilo aconteça posteriormente”, avalia.

    O advogado conta até que já viu um caso em que a própria empresa entrou com uma ação de regresso na Justiça contra o superior que causou prejuízo em um processo por assédio ganho pelo trabalhador.

     

    FONTE: DCI - Diário Comércio Indústria & Serviços

  • Varejo pressiona governo a flexibilizar leis trabalhistas Open or Close

    Varejo pressiona governo a flexibilizar leis trabalhistas

    As associações querem uma agenda positiva que inclua pontos como aprovação do trabalho intermitente, terceirização da 'atividade fim' e diminuição da carga tributária

     

    Em um ano com perspectivas ainda fracas para o varejo, entidades do setor fortalecem uma ação conjunta para pressionar o governo federal. A defesa se apoia principalmente em três frentes: aprovação do trabalho intermitente e da terceirização da atividade fim; redução do prazo do repasse dos cartões de crédito aos lojistas; e simplificação tributária.

     

    As medidas são defendidas pela União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços (Unecs), pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), e amparadas por uma frente parlamentar com 252 deputados. O argumento principal é que elas contribuiriam para uma retomada do setor e da economia.

     

    "O pleito mais importante que estamos trabalhando para este ano é a modernização da legislação trabalhista. Temos uma estimativa de que se o trabalho intermitente for aprovado só as entidades associadas à Unecs gerariam de imediato dois milhões de postos de trabalho (quase 20% do número de desempregados no Brasil)", afirma o presidente da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), Nabil Sahyoun.

     

    A opinião é compartilhada pelo economista da CNC, Fabio Bentes. "Do ponto de vista econômico nossa maior preocupação é a retomada do mercado de trabalho. Nesse sentido, a flexibilização da legislação trabalhista contribuiria muito", diz.

     

    Para o coordenador de relações sindicais do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), José Silvestre, no entanto, os impactos não seriam significativos. "De forma pontual até pode ajudar, mas não acredito que a aprovação do trabalho intermitente gere melhorias relevantes no mercado de trabalho. Para diminuir o desemprego a única saída é a economia voltar a crescer", diz.

     

    O projeto de lei que trata do trabalho intermitente, o PL 3785/2012, está parado na câmara dos deputados, mas, na visão de Sahyoun, a discussão deve ser retomada ainda no primeiro trimestre deste ano. "O governo não colocou na pauta de aprovação, mas acreditamos que até março possa voltar para o debate. Se for para a votação, temos plena convicção de que ele será aprovado", afirma.

     

    Sahyoun conta que a Unecs formou há cerca de um ano uma frente parlamentar com 252 deputados e 22 senadores. A Frente Parlamentar Mista em Defesa do Comércio, Serviços e Empreendedorismo é presidida hoje pelo deputado federal Rogério Marinho (PSDB-RN), e é a grande aposta das entidades do varejo na defesa de seus interesses diante do governo. "A frente tem feito um esforço muito grande para retomar essa discussão [da flexibilização das leis trabalhistas]", diz o executivo.

     

    O diretor de relações institucionais da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), Alexandre Seabra, concorda com a urgência na aprovação da flexibilização da CLT, mas ressalta que "tanto o trabalho intermitente quanto a terceirização teriam que vir por uma Medida Provisória (MP) do governo federal."

     

    Em relação a terceirização, a principal discussão atualmente é em torno da possibilidade de terceirizar a 'atividade fim', ou seja, a principal atuação de determinado negócio. No caso dos lojistas, por exemplo, seria a possibilidade de terceirizar o vendedor. "A terceirização é positiva porque reduz os custos de contratação. Em um momento em que os varejistas precisam cada vez mais diminuir gastos ela ajudaria bastante", afirma Bentes, da CNC. De acordo com ele, os encargos trabalhistas têm um peso muito grande e chegam a representar até 70% dos custos. "Isso acaba inibindo a contratação", diz.

     

    De acordo com Silvestre, do Dieese, essa diferença realmente existe, mas a mudança só seria benéfica para o empresário e não para o trabalhador. "Os trabalhadores na categoria preponderante têm um salário médio e benefícios melhores do que os trabalhadores terceirizados. Se a terceirização da atividade fim fosse aprovada ela prejudicaria o trabalhador e não contribuiria para a geração de novos postos de trabalho", afirma.

     

    Cartões de crédito

    Sobre a questão dos cartões de crédito, o presidente da Alshop afirma que o principal objetivo da Unecs é garantir a redução do prazo de pagamento aos lojistas, que hoje é de 30 dias, e a diminuição dos juros cobrados.

     

    "Vamos nos reunir com os bancos nos próximos 15 dias para tentar fazer uma discussão nesse sentido e para mostrar que queremos buscar o equilíbrio nessas duas questões", diz. De acordo com ele, se comparado com outros países, onde em dois dias o dinheiro já está na conta do lojista, o prazo praticado no Brasil não é compatível com a realidade. "O sistema financeiro brasileiro permite que se faça isso [repasse em dois dias], é só uma questão de barganhar cada vez mais e chegar em um consenso com as instituições financeiras", afirma.

     

    O diretor da Abras, Alexandre Seabra, acrescenta que o prazo de 48 horas é praticado em países como a Argentina e o México, e que é a média mundial. "Entendemos que é um processo de transição, não podemos tentar mudar as regras do jogo de forma abrupta, mas temos que buscar o equilíbrio e aos poucos nos igualar às práticas mundiais", afirma.

     

    O economista da CNC, Bentes, concorda com a necessidade de encontrar um equilíbrio, mas afirma que o ideal seria que o prazo fosse o menor possível. "Quanto menos tempo o tomador ficar exposto a essas taxas elevadas melhor. Já que o que isso acaba fazendo é transferir dinheiro do setor produtivo para o financeiro."

     

    A respeito da simplificação tributária, Sahyoun afirma que o objetivo é "ter uma tributação que seja mais condizente com a realidade. O que é uma busca de praticamente todas as empresas". Bentes, da CNC, concorda, e complementa que para chegar nessa redução da carga tributária a única saída seria buscar o equilíbrio fiscal.

     

    Além dos três pleitos, Seabra conta que outros dois pontos defendidos pela Unecs são: incentivos fiscais para a geração de energia e para a eficiência energética; e a ampliação da linha de crédito do Finame, do BNDES, para os chamados 'equipamentos estacionários' (os checkouts e gondôlas dos supermercados, por exemplo). "Como os custos de energia subiram muito, queremos incentivos fiscais para instalação de painéis solares e a troca por lâmpadas LED", finaliza.

     

    FONTE: DCI - Diário Comércio Indústria & Serviços

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